quarta-feira, 20 de abril de 2011

MOTOS QUE JÁ TIVE OU MOTOS QUE ME TIVERAM - Marcello Consolini

Quando meu amigo André me pediu esse texto, fiquei dias pensando; sim, antes que me perguntem, eu penso; no que poderia escrever para dizer algo sobre isso e por mais que tentasse pouca coisa ou quase nada vinha a minha cabeça.

Portanto resolvi deixar o texto fluir por si e ver no que daria, por isso me desculpem se não é o que vocês esperavam.

Tive minha primeira experiência com moto ainda muito novo, não sei bem o porque dessa maquina mexer tanto comigo, ainda com 9/10 anos de idade, comprava de forma compulsiva todas as revistas especializadas sobre o assunto, enquanto meus colegas gastavam em álbuns de figurinhas de jogadores de futebol, vai entender!!

Já aos 10/11 anos de idade pude finalmente realizar meu sonho de andar de moto, tendo a possibilidade de dar algumas voltas numa “poderosíssima” RX 50, da década de 70, a moto, vermelha, era um verdadeiro gafanhoto, mas eu me senti o próprio Peter Fonda, desbravando o quarteirão de minha casa,como se naquele momento estivesse fazendo uma das maiores viagens de todos os tempos, descalço, sem camisa, mas com a felicidade não cabendo mais em meu peito, infelizmente para meus pais, a partir desse momento, não dei mais sossego pra ele ou para minha mãe, fazendo verdadeiras palestras sobre a necessidade absurda que eu, do alto de meus 11 anos, tinha de ter uma motocicleta.


Como nessa época, este pobre infeliz que vos escreve já trabalhava, comecei a guardar cada centavo que ganhava, vislumbrando a possibilidade de poder comprar minha tão adora moto, coisa que aconteceu poucos anos depois, quando aos 13 anos, no mês de janeiro de 1980 , eu e meu pai fomos a uma revenda aqui em Piracicaba e pude enfim comprar a danada, a moto escolhida foi uma reluzente CB400 prata , modelo recém lançado e que na época abria o mercado nacional de motos “grandes” , mas a que eu PUDE comprar foi uma , não menos maravilhosa, Honda FS 125 Comstar, moto montada pela famosa revenda Honda de SP e que era “preparada” para trilha , fazendo frente a TT125 da Yamaha, a moto que era também 1980 , estava com baixíssima kilometragem e era de cor laranja , muito discreta, como vocês podem imaginar.


Bem como os amigos podem imaginar, foi uma grande merda, pois apesar de ter dado uma pequena entrada, ainda fiquei com belas 36 parcelas para pagar, de meu recém adquirido carne e meu suado salariozinho não dava conta de saldar essa parcela sem a ajuda de meu pai, portanto mesmo estando com a moto sonhada na garagem não me sobrava dinheiro para colocar gasolina, coisa que me era fornecida pelo meu velho, apenas nos fins de semana para algumas voltas vigiadas no quarteirão, isso só mudou depois de longos 6 meses , quando a empresa em que eu trabalhava me deu um aumento e ai sim, eu pude finalmente , PAGAR o que DEVIA ao meu PAI e esperar mais dois meses para poder andar com a moto todos os dias!!!!!kkkkkkkkkkkkkkkkk!!!!!

A partir desse momento minha vida teve uma guinada de 180 graus, pois era finalmente dono de meu tempo e de meu caminho, podia ir para qualquer lugar e fazia isso com a agilidade e rapidez que apenas as motos podem dar aos seus donos.

Minha relação conturbada com minha FS durou 2 anos e logo depois estava encima de outra maravilha , uma fantástica CG 125 ano 1982 , azul celeste , uma verdadeira clássica nos dias de hoje, fiquei algo em torno de 1 ano com essa moto e logo depois já estava com uma RX 125 e depois uma DT 180 ano 1982 preta, modelos com motor 2 tempos e muito diferentes de tocar em comparação com as outras que tive.


Passei depois para uma Honda ML 125, moto mais “chique” por assim dizer, pois já tinha freio a disco e posteriormente para uma Turuna 125, moto mais esportiva da linha 125 da Honda, pouco tempo depois, voltei para a Yamaha e comprei uma RDZ 125 , moto com freio a disco , partida elétrica e um desenho bem mais moderno.

 
 

Algum tempo depois e já cansado da mesmice que essas motos comuns ofereciam, pude comprar uma  Suzuki GT380 , que junto com a RD 350 Viuva Negra da década de 70 foram com toda a certeza as maquinas mais fantásticas que eu pude andar , rápidas, violentas em sua resposta e com ZERO de freio, eram adrenalina pura pra quem gostava de fato de andar.



Logo após, algo em torno de 8/9 meses, troquei a GT numa CB 550 Four, moto que infelizmente não pude manter por muito tempo trocando-a por uma CB 400 Four, 4 ou 5 meses depois.

 

Fiquei com essa maravilha por quase um ano , vindo a trocar pela famigerada Yamaha RD 350 , a tão famosa VIUVA NEGRA, moto que de tão violenta para andar, teve nos anos 70 uma Copa apenas para esse modelo, essa moto era de um amigo de meu pai que  a tinha comprado e NUNCA andou com a moto , estava muito nova apesar do ano de fabricação , 1976 , foi também a moto com a qual sofri o meu mais sério acidente , numa sexta feira , tirando racha em uma avenida de Piracicaba contra outra Viúva , bati na traseira de outra moto a mais de 150km/h, vindo me estatelar duas quadras depois , sofri diversas lesões , no corpo e na cabeça e meu corpo todo , exceção feita as minha axilas ,ficou ralado além de ter levado 28 pontos na cabeça , fruto de nossa possibilidade de andar sem capacete,coisa que fazíamos SEMPRE.

Depois do acidente, e ainda apaixonado pelas RDs , comprei uma RD 350 LC , aquele modelo com dois faróis redondos na frente, vermelha e branca , foi sem duvida uma das belas motos que tive.


Com o casamento e minha primeira filha chegando, optei por vender a RD e comprar um carro melhor, voltando algumas cilindradas, comprei uma XL 125, moto que usava apenas para trabalhar por não ter um motor muito forte para estrada. Da xizelinha passei para uma XL 250 R e pouco tempo depois comecei minha aventura no mundo custon adquirindo uma Hyosung 125, moto que usa o motor de CG 125 e muito valente por se tratar de uma 125.

 

Já um pouco mais sossegado financeiramente, troquei a Hyosung por uma Suzuki Intruder 800 , moto fantástica que me acompanhou por mais de 4 anos , quando ai sim já completamente convertido as custons pude comprar minha primeira Harley Davidson , a escolhida foi uma XL 1200 Custon ano 1995 , já bem customizada, que fui buscar em Curitiba , na conhecida oficina Cabeça de Ferro, a moto veio para Piracicaba , numa viagem que durou mais de 16 horas , pois o infeliz que me vendeu a moto não avisou que ela tinha um problema no chicote elétrico e a moto cortava corrente o tempo todo, foi de fato uma grande aventura!!!


Essa moto ficou comigo por mais 2 anos e meio , tempo que levei deixando-a do jeito que eu queria , foram 24 meses de trabalho para ao fim desse tempo e de meu casamento, ter que vendê-la, sem ao menos rodar com a danada, coisa que fui fazer tempos depois quando o meu amigo que a comprou me trouxe a moto para experimentá-la.
Já completamente contagiado pelo vírus HD, comprei uma outra XL 1200 Custon, essa toda original, que também tive o prazer de preparar e deixá-la do meu gosto, essa moto me acompanhou por diversas viagens, mas como era moto de mulher achei por bem trocá-la com uma novíssima Harley Softail FXST 2002 , preta com apenas 4000 km rodados, comprada de uma revenda de Campinas , foi  e é até hoje minha grande paixão, rodei com essa moto mais de 40.000 km em três anos e depois de deixá-la , na minha opinião é claro, maravilhosa , tive que vendê-la , por conta desses momentos na vida que preferimos esquecer.



Enfim é isso, minha vida motociclistica faz esse ano 32 anos de existência, nesse tempo todo foram pequenos ou quase inexistentes os momentos em que fiquei sem moto, acredito que todos os grandes momentos de minha vida, sempre tiveram como pano de fundo uma maravilha de duas rodas e espero ter passado para minhas filhas essa mesma paixão.

Paixão adquirida nas paginas já distantes de revistas, que pouca informação traziam, em ouvir roncos tão distintos de motores que conhecíamos apenas de ouvir, fiz nesses 32 anos conhecidos, amigos e muitos irmãos, perdi vários deles também, levados pela mesma maquina que tanto venero, maquina que exige de nós respeito e cuidado, mas que nos devolve paixão e exclusividade, pois nossa relação com nossas motos é única, é eterna, é verdadeira e inesquecível, ela nos leva e traz sem reclamar, nos mostra que somos limitados em nossos conhecimentos e que por isso mesmo devemos estar sempre atentos.

Espero poder rodar ainda por alguns anos, seja em que moto for, na companhia de meus irmãos e amigos, com a mesma alegria e por estradas que hoje vão muito além daquele primeiro quarteirão desbravado por um garoto sem camisa, que se sentiu o próprio Easy Rider!!!

Um grande e fraternal abraço a todos!!!

Marcello Consolini


4 comentários:

only 2 wheels disse...

Demais, virei teu fã....
http://only2wheels.blogspot.com/2011/04/esse-e-dos-meus.html

Banda Podre disse...

Parabéns Marcello,

Suas lembranças são uma verdadeira aula de história das motos nacionais.

Abraço,

Andre Maia

SUBVERSIVA disse...

Muito legal a história das suas motos!!

Paulo Pedras disse...

Duca Meu! Viajei no tempo agora...let's road!